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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Prioridades para 2009

No Valor de hoje, Juliano Basile informa que a "SDE agora vai concentrar as ações antitruste nos sindicatos patronais", no que seria a quarta frente aberta de combate aos cartéis desde o início de 2008:

(1ª) convencer os principais escritórios da área nos Estados Unidos e Europa a levar seus clientes envolvidos em cartel a denunciar no Brasil as demais empresas sob investigação;

(2ª) elaboração e
divulgação de cartilha em sete aeroportos informando e incentivando os "populares" a denunciarem práticas de cartel;

(3ª) ação preventiva junto a
órgãos públicos das três esferas de governo (União, Estados e municípios) contra combinações feitas por empresas antes de concorrências públicas;

(4ª) as já mencionadas ações de alerta/investigação (?) de sindicatos patronais.

Proponho analisar essas frentes de trabalho (ficou faltando uma, a dos "Cartéis Populares", já referida anteriormente - clique aqui, ó) à luz do artigo publicado na mesma edição do Valor, de autoria de Arthur Badin e Mariana Tavares de Araujo, respectivamente Presidente do Cade e Secretária de Direito Econômico (SDE).

Os autores enfatizam os avanços logrados pelo Sistema Brasileira de Defesa da Concorrência nos últimos anos - que são visíveis, não há dúvida - e conclamam a Câmara Federal a aprovar a reforma do Sistema para que se possa ir além. Para tanto, os autores reclamam
"o aumento da força de trabalho e a instituição de análise prévia de atos de concentração, com prazos fixos e céleres para decisão".

O número citado no artigo realmente causa consternação: vinte e dois técnicos "responsáveis pela condução das investigações de cartéis em todo país, o que tem atrasado a solução dos casos atuais e limitado a instauração de novos".

O paralelo que faço é com a repressão aos motoristas que dirigem embriagados: se não houver a sensação de que "posso ser flagrado" de pouco adianta acenar com multas pesadas. Um único bafômetro (isso é fato) dá conta de uma cidade do porte de Campinas, com cerca de um milhão de habitantes? Os abnegados técnicos da SEAE/SDE dão conta de novas frentes de investigação, ao mesmo tempo em que se dedicam a levar a termo os casos em análise?

O segunda ênfase no artigo recai sobre a análise prévia de atos de concentração: "
O Cade, por seu turno, assiste à baixa efetividade de sua política de controle de fusões e aquisições, devido ao sistema legal atualmente em vigor, que não impõe prazos fixos para uma decisão final, submete de forma redundante o mesmo processo à análise de diversos órgãos e permite que as empresas apresentem a operação somente depois de realizada. A conjunção desses três fatores impede que as decisões do Cade sejam tempestivas e eficazes, além de impor às empresas elevados custos associados à incerteza do negócio jurídico."

Mudanças institucionais devem ser importantes. Não duvido.

Prazos? Bom, existem os fixados em lei e existem aqueles internos, mais apertados, que são cumpridos em nome da eficiência. Não é ocioso lembrar o avanço alcançado pela SEAE/SDE com a instrução conjunta de atos de concentração, o que ocorreu sem necessidade de alteração na Lei 8.884/94. Causa um certo desconforto assistir ao Cade refazer amplamente o trabalho dos órgãos instrutores. A interação entre as diversas instâncias poderia sanar eventuais lacunas para a formação do juízo de valor pelos Conselheiros do Cade.

Por tudo, creio que qualquer profissional desse lado do balcão sente um frio na espinha quando ouve falar em análise prévia de atos de concentração.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Seae polivalente

Tarifas bancárias, inflação, imposto de importação, agências reguladoras, aviação. São alguns dos temas de atuação da Seae destacados em matéria do Valor Econômico de hoje.

A Seae está presente no grupo de trabalho criado pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara para analisar como as tarifas bancárias estão distribuídas pelos bancos e o que elas representam no balanço das instituições financeiras.

Estudo da Seae sobre o imposto de importação vai identificar quais são os setores protegidos e os efeitos econômicos.

E assim caminha a polivalente Seae, preparando-se para as atribuições previstas no projeto de lei de reforma do chamado Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (ver comentário aqui).

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

II Prêmio SEAE - 2007

"Defesa da Concorrência e Promoção da Concorrência e Regulação Econômica".

Informações: (61) 3412- 6018 - Fax: (61) 3412-6016 - premio-seae.df.esaf@fazenda.gov.br

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Celeridade do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC)

Relatório divulgado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) informa que foi reduzido o tempo de análise de Atos de Concentração (ACs). Em 2002, transcorriam, em média, 226 dias desde a notificação até a decisão final pelo Cade. Em 2006 (janeiro a maio), foram necessários 103 dias.

A celeridade foi favorecida pela adoção do rito sumário e pela instrução conjunta Seae/SDE. Também houve redução do número de caso notificados. Em 2002 foram protocolados 480 ACs (681 em 2000), contra 386 em 2005. Essa redução deve ser fruto, principalmente, da jurisprudência estabelecida pelo Cade no início de 2005, segundo a qual devem ser notificados os ACs envolvendo empresas com faturamento superior a R$ 400 milhões no Brasil (e não mais "no mundo", que era o entendimento anterior).

Essa maior velocidade não se estendeu às investigações de infrações à ordem econômica, cujo tempo médio de instrução na SDE passou de 989 dias em 2002 para 2.337 dias em 2006 (até maio). Aparentemente haveria com isso menor efetividade da ação punitiva, mas, em compensação, houve um aumento do número de casos com sugestão de condenação pela SDE.

Clique aqui para o "download" do relatório.